Filme ‘A Bela e a Fera’ teve figurino ético e sustentável

Tecidos ‘Fair Trade’ foram utilizados no processo de desenvolvimento dos trajes

Redação Manequim

Como se trata de um conto de fadas, houve liberdade para a interpretação visual do período para gerar um visual de certa forma original | <i>Crédito: Divulgação
Como se trata de um conto de fadas, houve liberdade para a interpretação visual do período para gerar um visual de certa forma original | Crédito: Divulgação

Desenhar figurinos dignos de um conto de fadas é uma tarefa extraordinária, mas não para a figurinista Jacqueline Durran, que realizou com tranquilidade a função.

 Seu departamento, formado por bordadores, chapeleiros, joalheiros, pintores e artistas têxteis, começou a trabalhar três meses antes do início das filmagens. Isso se deve, em parte, ao desafio que eles se propuseram de desenhar e criar figurinos éticos e sustentáveis a partir de tecidos ‘fair trade’ (ou seja, que utiliza materiais orgânicos de fornecedores que remuneram seus funcionários com um salário justo e levam o meio-ambiente em consideração), alvo esse que foi alcançado.

 Além disso, preocupados com os recursos naturais, o departamento trabalhando em conjunto com a Eco Age e a Green Carpet Challenge utilizou tintas naturais e de baixo impacto (descartando com cuidado toda e qualquer água residual).

 A história se passa em um local e época específicos – a metade do século 18 na França –os cenários, adereços, figurinos, cabelo e maquiagem foram todos autênticos em relação ao momento que é contada a história. Como se trata de um conto de fadas, houve liberdade para a interpretação visual do período para gerar um visual de certa forma original.

 Jacqueline desenhou tudo desde os figurinos dos camponeses para todos os aldeões até os elaborados vestidos longos de baile usados por 35 debutantes no baile do príncipe, mas o seu principal obstáculo foi criar o vestido que Bela veste quando dança com a Fera no salão de baile do castelo. Devido à associação emblemática com o vestido amarelo e a personagem, o processo de design foi longo, envolvendo diversas discussões em relação ao seu visual, cor e o material utilizado.

 “A ideia sempre foi fazer o vestido amarelo em nosso filme, como uma homenagem à animação”, diz a figurinista. “Nós tentamos reinterpretá-lo e dar um pouco mais de substância adicionando mais texturas e fazer com que parecesse um figurino da vida real”. No final, o vestido, que levou mais de 12 mil horas para ser feito, foi criado a partir de camadas múltiplas de cetim organdi levíssimo tingido de amarelo (55 metros no total), que foi cortado de modo geral em formato circular e precisou de 915 metros de fio. As duas camadas superiores foram estampadas com folhas de filigranas douradas em um padrão que acompanhava o piso em estilo Rococó do salão de baile e foi acentuado com 2.160 cristais Swarovski.

 A elegância e suntuosidade do figurino não ficou apenas por conta da Princesa. Os trajes que o Príncipe usou na sequência de abertura do filme, um casaco e um colete adornado com milhares de cristais Swarovski foram criados por Jacqueline, escaneados pelo departamento de efeitos visuais e aplicados a Fera gerada pelo computador.

 

15/03/2017 - 13:45

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